O Primo Zé Bobo - parte 2
publicado
em 12/03/2003
E lá se foram
os Bobo passar uma semana na praia. Levaram a Lua
e a Letícia, para que o Bob tivesse companhia. O
passeio começou bem, fazia sol, o hotel era uma
delícia e nos dois primeiros dias os Bobo se
comportaram como uma perfeita família em
férias.

Mas a aparente
harmonia familiar não durou muito. A Maria
"acidentalmente" encontrou o Orlando na
praia, apresentando-o para o Zé como um cliente
da firma de advocacia. Finalmente a ficha fez
"clique" na cabeça do Zé, que ficou
muito desconfiado com a atitude tão simpática e
contente da Maria com aquele "cliente"
que estava "coincidentemente" hospedado
no mesmo hotel que eles. O Zé advertiu Maria que
estavam ali a passeio, lembrando-a de que ela
não deveria pensar em trabalho naquela semana e
jogando areia nas intenções dela de convidar o
Orlando para jantar com eles no hotel.
 
Maria pareceu
entender o recado. A família toda se reuniu para
um jogo de vôlei junto com outros hóspedes do
hotel e o assunto pareceu ter sido esquecido.
Eles se divertiram o resto do dia.

Quando a noite
chegou, entretanto, Maria deu um jeitinho de
escapar do Zé enquanto ele foi tomar banho, e
foi se encontrar com o Orlando na piscina. Ela
não podia ficar com ele muito tempo sem que o
Zé percebesse sua ausência, ficou frustrada por
ter que voltar rapidinho, mas deu para matar a
saudade com alguns beijos. O Zé não pareceu
desconfiar de nada.
O que a Maria nem imaginava é que o Orlando não
tinha ido para a praia sozinho, aliás, o que a
Maria nem desconfiava é que o Orlando não era
exatamente um sujeito "disponível".
Ele tinha ido para o hotel muito bem acompanhado
de uma bonita moça chamada Aninha e estavam
hospedados num único quarto. A Maria não sabia
de nada disso, mas o Zé acabou sabendo, porque
na manhã seguinte tinha uma carta esperando por
ele na recepção do hotel. A carta contava tudo
que a Maria tinha feito desde que defendera o
caso de Orlando no tribunal, onde eles tinham ido
e o que existia entre eles. Tinha sido escrita e
enviada para o Zé pela própria Aninha, que
estava irritada com aquela traição do namorado.
 
A essa altura
dos acontecimentos o Zé estava furioso. Ele
decidiu ir tirar algumas satisfações com a
Maria, mas foi impedido pela diretora de férias,
que resolveu premiá-los com um troféu por ser a
família que mais estava aproveitando a estadia
no hotel. O Zé aceitou o troféu com um sorriso
congelado, pensando intimamente que aquilo sim
era uma ironia sem tamanho. Ele decidiu que ao
invés de provocar uma cena pessoalmente seria
melhor dar um jeito da carta da Aninha chegar
até as mãos da Maria, e pediu a um dos
empregados do hotel que a entregasse à ela.
A Maria leu a carta inteirinha e correu até o
quarto do Orlando para, por sua vez, exigir
satisfações. O Orlando não estava no quarto,
mas a Aninha estava lá, e ela não teve
dúvidas: foi logo contando para a Maria que ela
e o Orlando moravam juntos há dois anos.
 
Agora quem
estava uma fera era a Maria. Ela nem quis saber
de mais nada, tratou de mandar a Letícia arrumar
as malas dela e do Bob, e foi arrumar as suas
também. O Zé a viu entrar no quarto com uma
cara daquelas, e fingiu total surpresa quando a
Maria anunciou que eles iriam voltar para casa.
Ele empacotou suas coisas em silêncio, e foram
embora do hotel. A Maria fez a viagem de volta
inteirinha sem dizer uma palavra, e o Zé passou
a viagem toda fazendo palavras cruzadas.

(continua)
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