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Apagamento
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Material
cedido pela Sportsub,
visite!!
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No meio médico tradicional, certas situações clínicas são completamente desconhecidas. Uma delas é aquela que provavelmente levou à morte o ex-técnico da seleção brasileira de futebol e caçador submarino Cláudio Coutinho. A conclusão a que chegamos é que ele teria sido mais uma vítima do que é chamado no jargão do mergulho de água roxa , em uma triste repetição de uma fatalidade facilmente evitável. O apagamento é uma forma de síncope, ou seja, um desmaio súbito, sem a ocorrência prévia de tontura, náusea ou qualquer outro sintoma que sirva de alarme. É, no mundo todo, a causa mais freqüente de morte no mergulho amador em apnéia e representa o penúltimo estágio de uma seqüência que começa com o desejo do mergulhador em ir mais fundo ou permanecer mais tempo submerso, passa pela hiperventilação com o objetivo de aumentar a quantidade de ar nos pulmões e a oxigenação, prática equivocada que leva ao desmaio, ocorrendo enfim o afogamento, já que o mergulhador está lastreado e portanto irá ao fundo. Mas qual a intimidade desse processo? O desejo inconsciente, na verdade necessidade, de respirar é desencadeado principalmente pelo teor de gás carbônico (CO2) no sangue. O teor de oxigênio tem uma menor influência neste estímulo respiratório. Em condições normais, na superfície, submetido a 1 ATA (1 atmosfera absoluta ou 760mmHg de pressão ambiente), o centro respiratório, localizado em uma região do cérebro, é estimulado diretamente pelo CO2 dissolvido no sangue e inicia o impulso ventilatório. Quando o mergulhador realiza a apnéia e mergulha, o seu organismo responde ao esforço físico consumindo mais oxigênio e produzindo mais gás carbônico. Chegaria ao ponto em que isso normalmente levaria ao estímulo ventilatório já citado e o mergulhador iniciaria a subida para respirar. Mas se nosso caçador submarino realizou a ilusória manobra de hiperventilação, então cometeu um grave erro porque ventilando rápida e profundamente várias vezes antes de mergulhar, além de não elevar significativamente o teor de oxigênio no sangue, consegue reduzir perigosamente o teor de CO2 , aquele que "acorda" o centro respiratório e nos faz desejar respirar, desregulando o alarme.
Ocorre que a 10 ou 20 metros, ou seja, 2 ou 3 ATA, o oxigênio no sangue está com uma pressão parcial proporcional à pressão ambiente ( Lei de Henry: "a quantidade de um gás que se dissolve em um líquido é proporcional à pressão parcial deste gás sobre este líquido") e portanto, mesmo já estando em baixa concentração devida ao consumo já ocorrido, a 2 ou 3 ATA o oxigênio apresenta-se com uma pressão parcial no sangue que permite atividade cerebral normal. Quando finalmente o teor de gás carbônico, que já estava baixo devido à hiperventilação inicial, atinge o nível necessário para estimular a ventilação o mergulhador inicia a subida. Com a redução progressiva da pressão ambiente, a pressão parcial do oxigênio cairá e então faltará oxigenação ao cérebro de forma súbita. O mergulhador vai desmaiar e afundar devido ao lastro. A morte por afogamento é o resultado final. A verdade é que mesmo o mais treinado e competente dos mergulhadores, não está livre da tentação de romper alguns limites e estender o tempo de apnéia, mas não é menos verdade que a melhor e mais eficiente maneira de conseguir isso é através de um treinamento constante na superfície, buscando aumentar a capacidade volumétrica pulmonar e ao mesmo tempo abolindo o fumo. O mergulho é uma atividade saudável e agradável, que exige um certo espírito mas não dispensa o bom senso e a responsabilidade. Não é uma atividade solitária e sim solidária, uma parceria com outros mergulhadores e com a natureza. Por isso exige de seus adeptos uma atitude lúcida e bem informada. Esperamos com essa comunicação, estar contribuindo para reduzir este tipo de acidente e para elevar o nível de segurança da atividade. |
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