Barotraumas
Default
Google
Página Inicial

Barotraumas

Efeitos Mecânicos da Pressão sobre o Organismo  

Quando o indivíduo é submetido a uma diferença de pressão ambiente, os efeitos sensíveis ocorrem nas cavidades recheadas de ar, como os pulmões e os ouvidos.

Ao submetermos o organismo a um ambiente pressurizado, a Lei de Boyle atrapalha (o volume de um gás é inversamente proporcional à pressão). Todos nós já experimentaram alguns destes efeitos, como na descida de uma serra ou mergulhando em uma piscina : a sensação de sentir os ouvidos "abafados" revelam que a pressão está aumentando sobre nosso corpo.

Barotrauma do ouvido médio

Os ouvidos possuem uma região atrás do tímpano, chamada de ouvido médio, que está cheia de ar para funcionar como uma caixa acústica, com espaço para a vibração da membrana do tímpano. Justamente por ser recheada de ar, está região é vulnerável a variação de pressão. A medida que o mergulhador afunda, a pressão da água aumenta e empurra o tímpano para dentro, provocando dor ; se o mergulhador não tomar nenhuma atitude, o tímpano poderá se romper, causando barotrauma do ouvido médio. Para evitar esse tipo de acidente, o mergulhador realiza manobra de Valsalva, assim chamada por ter sido descrita por um fisiologista italiano com esse nome: tapa-se o nariz com dois dedos, mantém-se a boca fechada e expira-se com um pouco de força. Sem opção de saída, o ar caminha pela trompa de Eustáquio , canal membranoso que liga o ouvido à garganta , e chega ao ouvido médio, preenchendo a cavidade e igualando a pressão de dentro com a de fora. Caso a operação seja mal feita e o tímpano pode se romper (o que só uma delicada cirurgia resolve).

Apresentam-se a seguir imagens da anatomia do meato auditivo e em seguida dois esquemas demonstrando como as alterações de pressão podem afetar o ouvido médio.

Meato auditivo. (1) Pavilhão auricular (2) ouvido externo, (3) tímpano, (4) ouvido médio, (5) canais semicirculares, (6) nervo auditivo, (7) trompa de Eustáquio e (8) cóclea.

Timpano

A esquerda observa-se o tímpano em posição normal, quando a pressão externa é igual a do ouvido médio. A direita, o tímpano é comprimido para dentro na medida que o mergulhador aumenta sua profundidade, situação que será normalizada pela entrada de ar no ouvido médio através da trompa, manobra conhecida como equalização, como se vê a direita da imagem.

timpano.jpg

O excesso de pressão, sem a equalização apropriada, será seguida de dor e mesmo ruptura do tímpano, entrando água fria no ouvido médio. A diminuição súbita da temperatura do ouvido interno poderá provocar a perda do sentido de equilíbrio e orientação do mergulhador. Outra situação que pode provocar a ruptura de tímpano é uma pressão exagerada na tentativa de equalização (usualmente a manobra de Valssalva)

Barotrauma Sinusal

 Seios da Face

Os ossos do crânio possuem cavidades naturais denominadas seios (cavidades) da face ou seios sinusais. Os principais são os seios frontais (1), maxilares e esfenoidal (2), demonstrando-se sua localização na figura, do lado esquerdo. Estas cavidades aéreas dos ossos do crânio, também devem ser compensadas quando ocorre variação de pressão. Existem comunicações entre seu interior e a nasofaringe. Caso estejam obstruídos (p.e. por secreção), poderá haver dificuldade em equalizar a pressão em seu interior, quando a pressão externa variar, provocando dores locais e mesmo hemorragias.

Corte Sagital

A comunicação interna do nariz com as vias áreas se dá pela nasofaringe, cavidade revestida de mucosa especial (em vermelho) e dobras especiais (cornetos), que causam turbulência no ar inspirado, auxiliando na retenção de partículas e bactérias. Observe-se que os seios frontal (1) e esfenoidal (2) têm comunicação com a mesma.

Barotrauma Pulmonar

Além do ouvido e outros espaços corporais que contém ar, em condições hiperbáricas, ocorrem mudanças na composição de gases dos pulmões. No caso do oxigênio, por exemplo, quanto maior a pressão deste gás no pulmão, maior quantidade será absorvida pelo sangue e dissolvida em todos os liquidos do corpo.

Pulmão

 

Pulmões e árvore respiratória Uma estrutura rígida, a traquéia, vai se ramificando em ramos cada vez menores até que bronquíolos terminam formam os sacos alveolares. Estes mantém grande quantidade de ar no tecido pulmonar, que é bastante elástico. Na pressurização o pulmão é comprimido, se o indivíduo estiver com a respiração contida (apnéia) e a pressão for excessiva, podem ocorrer lesões ao pulmão, caracterizando o barotrauma pulmonar.

Alvéolos

Estrutura dos alvéolos pulmonares. Nas ramificações finais das vias áreas do pulmão, formam-se os alvéolos, estruturas semelhantes a cachos de uvas (branco e bege).

Oberve-se que os alvéolos estão recobertos por uma densa rede de pequenos vasos sanguineos, os capilares pulmonares (vermelho e azul). É nestas estruturas que se darão, efetivamente, as trocas gasosas entre os gases do pulmão e do sangue.

Embolia Traumática pelo Ar

No mergulho com equipamento ou em câmaras hiperbáricas, o ar deve ser inspirado na mesma pressão que o ambiente, permitindo que o tórax e os pulmões tenham pressão suficiente para sua movimentação, vencendo a pressão que a água ou ar-comprimido faz sobre o peito. Se o indivíduo, nestas condições, respirar ar ou oxigênio sob pressão e conter a respiração em apnéia, no caso de ocorrer uma despressurização súbita (como no mergulho, em uma subida muito rápida à superfície), o pulmão será submetido a uma expansão súbita, com grande aumento de sua pressão interna. Isto poderá ocasionar uma ruptura de alvéolos, entrando ar no espaço pleural. Nesta caso pode haver um colapso do pulmão (pneumotórax), entrada de ar na membrana que reveste o coração (pneumomediastino) o mesmo abaixo da pele do tórax e pescoço (enfisema subcutâneo). Este acidente, muito grave, é denominado embolia traumática pelo ar (E.T.A.).

Tórax

Vias aéreas e pulmões. Observar que os pulmões são revestidos pela pleura, membrana que tanto recobre os pulmões (pleura visceral), quanto reveste o espaço toráxico no qual estes se movimentam (pleura parietal, em azul). No caso de excesso de pressão nos álveolos (hiperdistensão) os mesmos podem ser romper, entrando ar no espaço pleural. O que pode provocar o colapso do pulmão (pneumotórax), impedindo que o pulmão possa se inflar.


   CLIQUE AQUI E CONHEÇA MAIS SOBRE MEDICINA  DO MERGULHO

 

  

 



Acquiring image from ProHosting Banner Exchange