Caça à Boleia - Portal Submarino
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Caça à Boleia

No meio da caça submarina Rolando Oliveira é conhecido como inventor, adaptador e fabricante de novos utensílios para otimizar a prática da modalidade. Desta vez fomos como usa e como adaptou uma "scooter" de superfície para a caça submarina.

Durante a viagem até ao local de ensaio, inevitavelmente fui "disparando" inúmeras perguntas ao caçador setubalense sobre este veículo aquático. Quais as capacidades desta máquina, as suas limitações e as performances mais fantásticas. Em primeiro lugar, e para compreender melhor até onde pode ir com esta alternativa, apresento as características desta "scooter" aquática : peso - cerca de 4 kg, depósito de combustível - 2 litros, autonomia - 2,5/3 horas, potência - 2 cv, alimentação - mistura (super + óleo), velocidade - 2-3 nós. Se já memorizou as capacidades desta máquina, poderá rapidamente compreender que este veículo se transporta por cima das pedras sem grandes dificuldades, ou ao longo de uma praia. Com este aparelho pode ir ao longo da costa, sem nadar, quer isto dizer, sem se cansar, observando o fundo e caçando ao mesmo tempo. Se o local apresentar alguma corrente, com este sistema esse problema, que o poderia limitar nas suas deslocações, deixou de ser uma preocupação. Segundo Rolando Oliveira, quando se caça em zonas de corrente, o ideal é viajar sempre contra a força da água, caso a "scooter" falhe, tem sempre a possibilidade de voltar para trás com a ajuda da corrente. Esta "mota" de água que não é tão silenciosa como se poderia pensar à primeira vista, tem ainda, a vantagem de servir de ótimo utensílio para entocar sargos. Salvaguardando que só em casos muito concretos e apenas quando se sabe o que se está a fazer, esta situação poderá acontecer.

"Em zonas de baixa profundidade em que é impossível, ou difícil ir com barco, e se algum cardume de sargos andar por perto e com predisposição para entocar, a "scooter" poderá ser extremamente útil", continua "como esta máquina é barulhenta, em vez de andarmos nós a fazer barulho, a gesticular e a dar tiros para entocar o peixe, podemos, da superfície, controlar a situação fazendo alguns círculos em volta da zona pretendida". Na parte dianteira foi colocado um carreto, além de várias dezenas de metros, possui numa das extremidades um pequeno ancorete. Na parte posterior da "scooter" foi colocado um cabo com um destorcedor que irá servir de ligação a uma bóia. O cabo tem cerca de 2 metros e termina com uma bóia tipo defensa. Na extremidade e através de um mosquetão, é colocado um enfião porta peixe. Esta bóia, além de servir como mais um ponto de sinalização, é um ótimo apoio para fazer reboques. "Nos Açores já vieram mais dois caçadores a reboque eu m enfião com cerca de 70 quilos de peixe" conta-nos Rolando Oliveira, mais uma vez, ficando demonstradas as capacidades do seu aparelho. "Quando vou para os Açores levo a "scooter" sempre comigo. Alugo um carro e todos os dias entro em locais diferentes. Vou contra a corrente e venho a favor da mesma. Como as águas são limpas este veículo não podia ser melhor". Para evitar a entrada de água na zona de alimentação do ar, Rolando Oliveira adaptou ainda um tubo, tipo traquéia, na extremidade do "snorkel". Este tubo de respiração pode servir ainda como local de apoio às bandeiras de sinalização de mergulhador.

Num dia de caça normal este meios de transporte serve perfeitamente para dois caçadores. Se por qualquer motivo, intencional, ou não, largar a "scooter", mesmo que esta se encontre a trabalhar, passa automaticamente para a sua velocidade mais baixa e começa a descrever um circulo com um diâmetro de 20 metros aproximadamente. Isto acontece devido à configuração de posicionamento da hélice. Mesmo para quem tem barco, esta máquina pode revelar-se bastante útil. "Por vezes, vou às santolas para a as zonas de areia e alguma corrente. Até à área pretendida vou de barco, depois salto para a água e reboco o semi-rígido com a "scooter", ao mesmo tempo vou vislumbrando as santolas no fundo". Outros caçadores rebocam pranchas, algumas de fabrico próprio, outras comercializadas em diversas lojas do nosso país. Além de facilitar um dia de "caça a partir da pedra" esta "scooter" já foi utilizada em competições internacionais. No mundial de Palma de Maiorca as equipas de França e Itália serviram-se de "motas" como esta para realizarem os seus trabalhos de prospecção em fundos de baixa profundidade. Atenção que esta "scooter" é de superfície, existem outras máquinas que fazem trabalho semelhante mas que têm, no entanto, as suas desvantagens, como por exemplo, autonomia muito mais reduzida. Por outro lado, têm duas características muito boas, como sejam o poder de submergir até profundidades consideráveis e serem silenciosas. No mercado nacional existem diversas marcas de "scooters" submarinas.

       



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