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Caça
ao Buraco
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Ao contrário do que se possa pensar inicialmente, a caça nos buracos requer grande técnica. Cada buraco é uma nova situação e há que improvisar em inúmeros casos. Para um tipo de caça tão diverso, é difícil estabelecer regras, mesmo para caçadores mais experientes, cada um usa a sua técnica, podendo muitas delas ser contestadas entre si. Não existem portanto padrões definidos para capturar este ou aquele peixe dentro de concavidades. Entre as diversas capturas que se podem realizar dentro de buracos, podemos distinguir dois tipos de peixes diferentes: aqueles que ocasionalmente estão em tocas e os que permanecem escondidos nelas. Há muitos peixes residentes ou semi-residentes em determinados fundos e buracos. Dentro de um vasto leque que podem ser capturados na caça submarina e dentro de tocas, encontram-se: os sargos, os robalos, os meros, os safios, as moréias, as abróteas e os bodeões. Além destes e com menos frequência, podem ainda ser encontradas as douradas e as tainhas. A caça feita em buracos compreende dois métodos base: o primeiro não é mais do que inspecionar sistematicamente todos os buracos existentes no fundo, a fim de encontrar aqueles que estão habitados por peixes . Esta técnica é mais usual quando não há movimento no fundo de outros pequenos peixes, aqueles que dão indícios da presença de outros de maior porte. O segundo método, muito instintivo, visa a visualização direta da presa ou do buraco bom, isto feito da superfície ou planando sobre o fundo. A eficácia de cada um deles é notavelmente influenciada por uma série de factores: tipo de fundo, profundidade, visibilidade, presença de outro caçador, estado do mar, etc. A descoberta de um determinado buraco, muitas vezes está associado ao movimento de pequenos peixes no fundo, junto à entrada da toca. No caso de sargos, robalos, douradas e tainhas, são exemplares mais pequenos e curiosos que entram e saem do seu local de abrigo. Este movimento que em alguns casos é um autêntico frenesi, é o melhor indicador de presença de boas tocas e de ótimos exemplares. Com o tempo e depois de bem observados estes locais, os fundos, as entradas dos buracos, etc. Podem dar informações preciosas para as situações em que não existe movimentação no fundo de qualquer espécie. Mas que, no entanto, podem estar em buracos. Caso depare com um cardume de peixes a entrar e sair de um determinado buraco, pode estar perante a uma situação tipo e que normalmente tem um procedimento metódico para resultar em pleno. Para rentabilizar o melhor possível a sua descoberta, nada melhor que iniciar a sua caçada aos peixes que nadam cá fora, fazendo pequenas esperas perto da entrada do buraco, ou na descida para o fundo. Além de não criar confusão dentro do esconderijo, os peixes que vêem o que se passa cá fora transmitem um certo receio aos que estão dentro das tocas. Evite, portanto, entrar diretamente para o buraco, quando existem ainda peixes de bom porte nas redondezas da toca. Após a captura de alguns exemplares fora do seu esconderijo, aí sim pode ir dar uma espreitadela ao que se passa lá dentro do buraco. Há caçadores que só espreitam para dentro das concavidades pelos locais onde saem e entram peixes. É por essas mesmas portas que se deve disparar. Uma técnica muito usada, para tentar agüentar o mais possível um cardume de sargos dentro de uma toca, é colocar espingardas nas diversas portas do buraco. O peixe ao ver tais objetos mantém-se entocado. Claro que esta técnica nem sempre resulta, há dias e dias. Em muitos casos, após o primeiro disparo o peixe foge. Outra técnica usada é a colocação de uma rede especial á porta do buraco. Esta rede não é mais do que um arpão de uma arma baby a servir de lastro e algumas bóias de pesca a fazerem a sua sustentação. Este princípio base pode ser mais trabalhado por cada caçador. Outro comportamento que o caçador deverá ter, perante um buraco recheado de peixe, é usar o menos possível a lanterna, mas disso já falarei mais à frente. Como nem todos os dias se vêem os pequenos peixes à entrada dos buracos para darem as indicações necessárias, há muitas situações em que a caça é realizada de uma maneira muito criteriosa. Isto é, as tocas a observar devem ser selecionadas, pela sua configuração, pela sua altura pelo tipo de fundo que os buracos têm, areia ou cascalho, etc. Em muitos outros casos as capturas realizadas nas concavidades devem-se ao fato de se observar a entrada do peixe para dentro dos seus esconderijos. Nestas situações o silêncio é decisivo, uma aproximação barulhenta, um toque do arpão a entrada do buraco, um tubo rígido a raspar pelo teto, etc. pode facilmente assustar o peixe. Se estiver perante um buraco que apresente diversas entradas poderá realizar um ou dois mergulhos para ver qual o melhor local para disparar. Qual a entrada que lhe permite melhor ângulo de tiro e de visão, assim como a que lhe facilita a sua entrada. Caso tenha grandes dificuldades em colocar a espingarda para dentro do buraco, podendo nesta situação provocar algum barulho, o melhor de fato é escolher a outra entrada. Se a água é limpa, não há corrente e o mar está calmo, a caça ao buraco não levanta grandes problemas. O pior é quando a água não é a melhor, a corrente tem força e o mar está agitado. Nestes casos, não é nada difícil perder uma toca com peixe lá dentro. Para evitar estas situações pouco agradáveis, pode recorrer a diversas técnicas, todas com o mesmo fim, não perder o buraco de vista. A mais fácil e usual é andar com a bóia presa à cintura e a qualquer momento soltar a poita para o fundo, marcando a zona desejada. Outra situação, é ter uma pequena bóia de cortiça com uma chumbada e fio de nylon no cinto, de maneira a ser solto assim que for necessário. Por último pode usar um carreto no braço e deixar a espingarda no fundo a marcar a entrada da toca. As espingardas a utilizar neste tipo de caça podem ser muito diversificadas. As mais utilizadas em Portugal são as juniores (75 cm), as babys (55 cm) e/ou as standards (90 cm ). Isto não quer dizer que não se possa utilizar armas de luxo (100 cm ) ou, ainda maiores, em casos muito particulares. Como normalmente os tiros são curtos e as entradas dos buracos difíceis de passar armas grandes, o mais usual é caçar com juniores ou babys. Apesar de estas espingardas serem pequenas para tiros potentes, para um safio, ou um mero de grande porte. Para isso basta trocar os elásticos pelos mais adequados a estas situações, os de maior dureza ou os de diâmetro de 20mm. Como os tiros não são muitos longos a precisão do arpão pode ser substituída em favor da potência ou força que este pode levar. Outro fator importante para os que os tiros em buracos resultem em pleno prende-se com as barbelas usadas e a sua colocação no arpão. Como muitos peixes que o caçador pretende capturar dentro dos buracos, estão mesmo encostados á pedra, um tiro efetuado na perpendicular à rocha pode resultar num peixe perdido. Isto, porque o arpão não teve espaço suficiente para atravessar o exemplar de maneira a abrir a barbela. Em muitos casos, o arpão sai com uma força tal, produzindo um impacto tão violento, que pode voltar para trás sem que o peixe seja capturado. Para evitar estas situações pouco agradáveis, o ideal é disparar um pouco de lado, a 45º da pedra ou mais, permitindo que o arpão possa ter espaço de atuação. Se pratica muito a caça aos buracos o ideal é preparar uma arma só para esse fim. Uma barbela curta, para que o arpão possa ter o seu ponto de atuação mais perto da ponta e que esta mesma barbela seja colocada bem perto da extremidade. Estes dois pequenos pormenores podem saldar-se em mais algumas capturas que eram antes quase impossíveis de realizar. Outro pormenor que deve ser alterado na arma de origem é o fio. Este deverá ser alterado para o fio de nylon monofilamento, ou para um fio bem mais grosso de nylon entrelaçado. É que os tiros em buracos têm alguns problemas bem específicos, um deles é o arpão ficar preso. Nestes casos, os fios devem ser resistentes para agüentarem as trações a que são sujeitos quando se pretendem recuperar as hastes. Outros dos problemas dos tiros em tocas prendem-se com a potência da arma e a distância a que se vai disparar. O resultado final poderá ser: arpões tortos e a ponta numa bola. Qualquer destas das situações pode pôr em causa os seus próximos disparos tanto em precisão como em penetração. Um arpão pouco afiado e disparado a alguma distância, pode ser o suficiente para deixar um bom robalo na mesma, sem que este lhe tenha causado qualquer interferência, além de ser um ótimo causador de resvalos nos tiros dados de cima, de frente, ou ainda por trás. |