Reportagens - Os Arbaletes Compostos 1
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OS ARBALETES DE MATERIAIS COMPOSTOS

Misturar leite com manga ou cair na piscina depois do almoço é "congestão" na certa. Estas afirmações e muitas outras constam das coleções de mitos - sem a menor fundamentação científica - que a população em geral coleciona. Na caça submarina, uma das mais recentes, digamos, "verdades" - o uso de materiais compostos no cano do arbalete - também não passa de mistificação."Como gosto de usar elásticos 'super-hiper-mega' fortes, troquei o meu arbaletecom cano de alumínio por um de fibra de carbono para ter mais precisão." Eis aí uma afirmativa muito comum nos últimos dois anos que, infelizmente para quem gastou uma dinheirama na troca, está longe de ser verdade. O aumento de potência acarreta, com efeito, dois problemas que diminuem bastante a precisão do arbalete: a flexão do cano e o recuo durante o tiro.No primeiro caso, com os elásticos esticados acima do eixo do cano, este flexiona, tal como em um braço de umviolão sob tensão das cordas. Mesmo que esta curvatura seja milimétrica, durante o disparo o cano tende a esticar-se de novo. Ao fazê-lo, ele atinge levemente o arpão, provocando neste uma ligeira oscilação, o que compromete a velocidade e a precisão do projétil.

AÇÃO E REAÇÃO

O uso de canos mais rígidos, como alguns fabricados com compostos de fibra de carbono e kevlar, pode, sim, eliminar a flexão. Entretanto, a flexão não passaria de um simples contratempo se não estivesse associada a um problema muito mais grave: o recuo. Um dos ditames básicos da física diz que a cada ação corresponde uma reação ao contrário e de igual força. Ora, se adicionarmos mais potência por meio dos elásticos, aumentamos a velocidade do arpão saindo do arbalete. Este momento (no sentido científico do termo) para a frente corresponde a um, de igual força, em direção ao mergulhador. Quanto maior a potência, maior o coice. Tal como o revólver Magnum 44 do implacável detetive do cinema "Dirty" Harry Callaham - alter ego de Clint Eastwood - na hora do disparo, o arbalete superpotente tende a levantar bruscamente sua parte dianteira, pois a traseira, na coronha, está presa à mão do caçador. O arbalete faz um movimento de alavanca no arpão antes de ele sair da arma, também ocasionandooscilação, só que muito mais violenta. Sua trajetória, portanto, torna-se extremamente errática, por conseguinte, imprecisa.A realidade é que a solução do problema da precisão de arbaletes superpotentes não se encontra na rigidez do cano. Mas, sim, no incremento do peso da arma. Diz-nos a física que a fórmula aplicável para o recuo é, por assim dizer, M x A= M' x A'. Ou seja, a massa (ou peso) do arpão (M) multiplicada pela sua aceleração para frente (A) é igual à massa (o peso) do arbalete (M') multiplicada pela velocidade para trás (A') do recuo da arma. O peso do arpão e sua aceleração são constantes. V' é o recuo da arma, portanto a única maneira de ele diminuir é aumentando M'. Ou seja, aumentando o peso da arbalete.

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