Em Defesa da Natureza
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Em Defesa da Natureza
Material cedido por Sportsub


Existem várias atividades semelhantes ao esporte da Caça Submarina, o que muitas vezes acaba confundindo as pessoas e criando uma falsa imagem sobre nosso esporte.

É comum para o leigo confundir a pesca esportiva submarina com o mergulho autônomo ou com a pesca profissional submarina, pois todas são atividades realizadas embaixo d'água. Apesar de serem todos mergulhadores, essas atividades possuem essências distintas que devem ser separadas para que cada uma possa se desenvolver dentro do que se propõe, permitindo um maior esclarecimento dos objetivos de cada atividade.

O mergulho autônomo é aquele em que, o mergulhador respira de baixo d'água com o auxílio de aparelhos, utilizando garrafa de ar comprimido ou narguilê. O objetivo do praticante do mergulho autônomo pode ser unicamente o de observar o fundo do mar, praticar turismo submarino ou realizar algum tipo de trabalho como coleta de material, salvamento, filmagem, etc.

Na caça submarina que é uma modalidade esportiva praticada há mais de 40 anos por atletas filiados a vários clubes náuticos de renome do Estado do Rio de Janeiro, somente é permitida a atividade em apnéia, ou seja, no fôlego, não sendo autorizada a utilização de qualquer aparelho artificial para respiração. E a caça submarina tem como principal objetivo à competição e a confraternização de pessoas através da pesca com arpão.

A confusão maior ocorre quando as pessoas confundem o esporte com a pesca profissional, aquela que se usa equipamento de respiração autônomo como garrafa de ar comprimido. Devido à facilidade de captura de peixes com o uso desses equipamentos, os leigos quando vão ao mercado comprar peixes, e observam na bancada lindos exemplares capturados em pescaria de mergulho, interpretam que essa captura foi feita pelo esportista. Isso pode até ocorrer, mas é uma situação rara. Pois para o atleta conseguir vencer as dificuldades e os limites que o mar nos impõe são necessários muitos anos de dedicação e muita saúde.

Em nosso esporte, temos a preocupação de limitar o peso e tamanho dos peixes, inclusive sob acompanhamento científico da Universidade Plínio Leite (UNIPLI), que analisa as vísceras do epscado capturado. Já para o profissional não existe limite de quantidade: pega-se tudo que o mercado puder comprar.

O mergulho em apnéia exige um bom preparo físico e um profundo conhecimento de seus limites. É um esporte de risco e o atleta pode até se afogar quando, empolgado com o peixe, perde a noção de seu fôlego e ao subir perde a consciência, o que é conhecido como apagamento. Já com o uso de aparelhos de respiração não é necessária muita aptidão física, além do tempo de ar numa garrafa ser de até duas horas. Enquanto isso, na apnéia, um ótimo atleta fica no máximo dois minutos debaixo d'água sem respirar. Além disto, existe o limite de profundidade: um bom esportistapesca entre 15 e 20 metros, já de garrafa desce-se aos 30, 40 metros sem muito esforço. Portanto as diferenças são enormes.

Nestes últimos anos temos percebido um aumento grande do número de pessoas exercendo a atividade profissional da pesca submarina e, a grande maioria sem a devida consciência ambiental.

Não somos contra qualquer atividade profissional, nossa crítica se restringe a falta de critério e de controle da forma como é praticada hoje, essa atividade profissional aqui no Rio de Janeiro e que, infelizmente, temos testemunhado seus efeitos predatórios.

Facilmente se percebe que as chances dos peixes na pesca profissional diminuem enormemente. O resultado disso é o que temos acompanhado ao longo destes últimos anos: o desaparecimento do peixe em nosso litoral.

Assim como a nossa atividade esportiva, a pesca profissional tem sua atividade regulada e controlada pelo IBAMA. Fica aqui nosso protesto: Que o IBAMA atue e cumpra com o seu papel de fiscalizador e controlador da pesca profissional de aparelho no litoral do Rio de Janeiro.

O que queremos distinguir, e isso é uma grande preocupação da Federação de Caça Subamarina do estado do Rio de Janeiro - FCSERJ - é que o pescador profissional que se vale do uso de equipamentos esportivos como arpão, e dos equipamentos de mergulho autônomo como a garrafa, não pode ser encarado como desportista. Não tem nada a ver com nossa Federação. É uma atividade profissional que produz alimento para a população como outra qualquer.

Muitas pessoas são contra a caça submarina por confundirem o esporte com esse tipo de pesca profissional. Essa confusão nos prejudica bastante, principalmente no que se refere a aquisição de apoio ao esporte, e também na sua divulgação através da imprensa.

A captura de peixes é uma conseqüência de nossa atividade, não a finalidade. Através da pesca submarina temos conseguido integrar as pessoas com o mar, permitindo que conheçam mais profundamente o equilíbrio da nossa fauna marinha e exerçam em conseqüência disso o direito de protestar e reclamar da falta de atuação dos órgãos governamentais e dos abusos cometidos com a natureza em troca de benefícios financeiros imediatistas.

Desejamos que as próximas gerações tenham também oportunidade de contar histórias de pescador.

Mauro Antônio do Coutto
Presidente da FCSERJ