O
controle de flutuabilidade é considerado uma das técnicas
mais difíceis no aprendizado do mergulhador. Desde o primeiro
curso, o aluno já aprende o conceito do "Princípio
de Arquimedes", onde todo o corpo imerso em um líquido sofre
a ação de uma força vertical, em sentido oposto,
com intensidade e peso igual ao volume do fluido deslocado. Em outras
palavras, se o peso for maior que o volume deslocado, o objeto afunda,
e vice-versa.
Quando
a equação peso/volume se estabiliza (fica igual),
chega-se ao céu do mergulho, você fica neutro, estável.
Nesta situação o esforço com deslocamento e
estabilidade praticamente desaparecem, garantindo economia ar, menor
cansaço, evitando contatos involuntários com objetos
e levantamento de suspensão.
Tudo
bem, agora que ficou bem claro que o negócio é se
equilibrar direito, como fazer a coisa?
Vários
fatores influenciam a flutuabilidade: volume corporal, uso de roupas
isotérmicas, equipamentos, ambiente do mergulho, profundidade,
etc. Antes vamos estabelecer alguns termos: "positivo" é
a tendência a flutuar, "negativo" é afundar, "neutro"
é o óbvio.
O
corpo humano tem uma tendência natural a flutuar, nossos pulmões
funcionam como uma bóia, pois estão cheios de ar.
Por este motivo é necessário utilizar um cinto de
lastro, para ajudar a afundar, e colete o equilibrador para facilitar
a flutuação.
O
lastro pode ser colocado no cinto, nas pernas, no cilindro (próximo
à cabeça), nos tornozelos e no próprio colete
equilibrador. O colete, se for o caso, fica ajustado ao tronco,
sendo inflado e desinflado conforme a necessidade.
Se
você mergulha em apnéia somente com o equipamento básico,
composto de máscara, snorkel, nadadeira, está fácil.
O ajuste ideal, uma vez alcançado, não vai variar
muito em função de fatores externos.
Se
estiver utilizando roupas isotérmicas, o volume deslocado
vai aumentar, o que requer mais peso para afundar. Daí entra
uma variável a mais; a roupa, normalmente feita de borracha
de neoprene, diminui de volume em função da pressão,
alterando a equação (aliás, o seu corpo também
varia de volume). Quanto mais grossa a roupa, maior será
a variação em função da profundidade.
Os
cilindros são outro problema. Os de alumínio são
negativos quando estão cheios, tornando-se positivos conforme
o ar vai acabando, o que altera o equilíbrio hidrostático
ao longo do mergulho. Os de aço normalmente são neutros
ou um pouco negativos quando vazios. Outros equipamentos, como nadadeiras,
lanternas, caixa estanque e máquinas fotográficas
também influenciam o comportamento do mergulho.
Para
compensar estas variáveis, o uso correto do lastro e do colete
equilibrador são fundamentais. O colete permite ajustar o
volume interno de ar em função dos fatores descritos
anteriormente. Escolha o colete que forneça a flutuabilidade
desejada com o menor volume possível.
Vamos
agora passar aos procedimentos de ajuste. A primeira coisa é
achar um local calmo para fazer as suas experiências. Pode
ser uma piscina ou um local abrigado em rio, lagoa ou mar. Leve
em conta que existe uma grande diferença entre mergulhar
em água doce e salgada, a tendência de flutuação
é muito maior na segunda.
- Ajuste do lastro
necessário para o seu corpo.
Coloque
seu equipamento básico (máscara, snorkel, nadadeiras,
roupa) e entre na água. Relaxe e tente se manter na superfície,
sem bater os pés, respirando pelo snorkel e olhando para
a frente. Peça para alguém ir passando as peças
de lastro para você até que a água esteja
na altura dos olhos. Quando atingir o ponto ideal será
possível afundar um pouco cada vez que expirar o ar. Se
o seu objetivo for mergulho livre, boa viajem.
Coloque
o colete com o cilindro cheio e montado (regulador, octopus, console).
Esvazie o colete e verifique se fica neutro. Se tudo estiver certo,
você vai ficar ligeiramente negativo quando expirar, caso
contrário faça ajustes no lastro.
Vá
para o fundo, onde provavelmente ficará negativo. Deite
de barriga e inspire profundamente, a parte superior do seu corpo
deve flutuar um pouco, caso contrário adicione um pouco
de ar no colete. O ideal é, com os pés encostados
no chão e o tronco ligeiramente inclinado para a frente,
o corpo subir um pouco quando se inspira e descer quando se expira.
Outros
fatores influenciam a flutuabilidade, a posição do
mergulhador é um deles. O ângulo e a inclinação
do corpo alteram a distribuição do peso, consequentemente
o comportamento da flutuação. Ajuste a colocação
dos lastros (no cinto, colete, tornozelos e cilindro) até
achar um ponto ideal para se manter na posição desejada.
Agora
que você se tornou uma pessoa mais equilibrada , relaxe e
aproveite ao máximo o prazer de um mergulho tranquilo e confortável,
sem precisar fazer aqueles malabarismos e evoluções
estranhas dentro da água.
Regras
básicas:
- Quanto mais fundo,
mais negativo você fica, e vice versa.
- Controle o ar
nos seus pulmões para ajudar no controle de flutuabilidade.
- Nunca use mais
lastro do que o necessário.
- Distribua os pesos
de forma homogênea no cinto e no colete.
- Na água
salgada, a flutuabilidade é muito maior do que na água
doce.
- O controle de
flutuabilidade nunca é definitivo, exigindo ajustes constantes
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