O pouso da ave
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O Pouso da Ave

 

 

 

Vários casos são relatados pelos pescadores submarinos que até Deus duvida de sua veracidade. Temos histórias de visões de barracudas descomunais em nossas águas e até o caso da visão da imagem de Yemanjá. Tais fatos são mesmo fantasias da fértil imaginação deste místico povo baiano.   


  Com seriedade fomos apresentados a mais um caso que o relator diz ser autêntico... Em um final de tarde, do fim do ano de 98, nas águas da praia do Jardim dos Namorados, mais precisamente 'cocô beach', certo pescador submarino estava fazendo sua pescaria rotineira, de preparação para a 3ª prova do VIII Campeonato Baiano., e teve uma surpresa no decorrer deste mergulho.


  Mergulhando em trio, com dois colegas, também competidores, estes se distanciaram logo no início do mergulho, pois o mar estava agitadíssimo, e com fortes correntezas o que determinou a dispersão dos caçadores e assim os dois foram pescar numa laje, no raso, enquanto aquele pescava só, a 18 m de profundidade, e a uma distância de 500 m da praia.


  Pescaria feita em um lajedo com aproximadamente 600 m de extensão por 15 de largura, o que dificulta a sua localização e assim só os experientes na área conseguem achar e manter-se neste lajeado. 


  Surpresa quando o caçador tentou localizar seus colegas e não os achava, pois estavam longe e com a agitação das ondas, era impossível a visualização, mesmo mantendo-se em cima da prancha que serve de bóia. Quando olhou na direção sul de sua prancha, havia uma ave sobrevoando o mar, e em um instante ela sumiu do seu campo visual. Logo em seguida, a ave apareceu e pousou em sua cabeça e ficou parada por um tempo, o que não permitia que o ar aspirado pelo atleta, viesse penetrar no ‘snorkel’ e assim este movimentou-se com o balanço das ondas e a ave saiu da posição em que estava, permanecendo assim mesmo parada na cabeça do mergulhador.  


  A ave permaneceu durante alguns minutos pousada na cabeça do mergulhador mesmo com a agitação do mar, que apresentava várias seqüências de ondas. E assim a ave ficou fixa sobre o seu capuz durante mais ou menos 10 minutos, enquanto o felizardo procurava seus parceiros na superfície, deslocando-se para a terra, a fim de mergulhar em outro pesqueiro. Já no local, aonde fundeará a prancha e decidindo mergulhar novamente, a ave saiu de cima de sua cabeça e ficou sobrevoando o local. Logo em seguida vôou em direção à prancha e ali ficou pousada por mais 15 minutos, permanecendo imóvel, só se mexendo para equilibrar-se do balanceio das ondas. Parecia um animal adestrado. A ave nem se incomodava quando o caçador ia até a prancha colocar na enfieira os peixes abatidos. E só voltou a voar, quando uma onda mais forte sacudiu a prancha, mesmo assim continuou com seus sobrevôos da área !


  E o inusitado ainda estava para acontecer quando a ave, sem cerimônia aproximou-se do mergulhador que estava apenas com a cabeça emersa e pousou novamente em seu capuz, ali ficando por alguns instantes até que ele voltou a submergir.


  Tal façanha só foi possível pela tranqüilidade do mergulhador, que respeitou a vontade da ave, de pousar na sua prancha e em sua cabeça sem ser espantada com movimentos bruscos e pacientemente deixou-a acalmar-se, sem incomodar-se com sua presença.


  O Tal fato foi relatado na colônia de pesca da praia da Pituba 'cocô beach', e os pescadores comentaram que este tipo de ave tem comportamento amistoso com os seres humanos, de tal forma que sempre pousam nas embarcações, que estão na área, mas jamais se aproximam, a mais de alguns metros dos pescadores, pois é uma ave silvestre que habita a praia, no centro de Salvador..


  Três dias após, quando voltou a área para novamente caçar, depois de notar a má visibilidade da água no pesqueiro mais ao raso, e ter voltado a praia, constatou que a ave sobrevoava o lajedo à procura de alguma presa para sua alimentação, mas desta vez não só o mergulhador que presenciou a façanha da ave, mas também um dos parceiros de mergulho viu a majestosa ave, sobrevoando o local. Como se novamente reconhecesse o caçador, que apenas a observava em seu pleno vôo...


Esta não é uma estória de pescador. Trata-se de fato verídico, fielmente aqui narrado, devendo ser registrado nos anais da nossa federação para que todos tenham conhecimento deste 'causo' tão curioso, quanto real !

 





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