O Jacaré
Default
Google
Página Inicial

A AVENTURA NA 

ILHA DO URUBU  

 

 

 

       Setembro de 1989, Mergulhando nas águas do "Velho Chico", nas cachoeiras de Paulo Afonso, mais precisamente, na ilha do Urubu, onde localiza-se o zoológico dessa cidade, eu e mais dois mergulhadores, presenciamos um fato inédito.

Voltávamos de um mergulho, onde havíamos, cada um, abatido 5 peças de um magnífico tipo de peixe, o cascudo (limpa vidro, cari), peixe saboroso que habita todos os sistemas fluviais do Brasil, atingindo até 4,0 kg. Eu tinha capturado um de  ± 3,5 kg, com 75 cm de comprimento, belo exemplar, talvez o maior já arpoado no Brasil, pena que não tirei foto!!!

Nesta aventura surgiu o inesperado, quando rodeávamos com o carro o lago dos jacarés, que fica na rua principal que serve para sair da Ilha do Urubu, vimos um filhote de veado novinho nadando neste lago, sendo mordido pelos sedentos anfíbios, habitantes do local.

Lá, encontramos um colega de mergulho que apenas observava a cena e nada podia fazer, pois estava a passeio com a esposa e não podia agir. Nossa primeira reação foi verificar quantos animais estavam envolvidos com o safári do pequeno cervo e não víamos o principal morador do lago, um jacaré de 3,0 metros e uns 150 kg, assim, ficamos com receio de entrar na água para salvar o animalzinho.

 


Depois de uns cinco minutos discutindo a situação, decidimos que dois mergulhadores entrariam no lago e o outro ficaria do lado de fora com as armas pneumáticas prontas para agir se fosse necessário! Tal situação deveria ser meticulosamente estudada, para salvar o veadinho, devido ao fato de ser um local sinistro, morada de jacarés !!! E ser uma área de segurança máxima da Companhia Hidroelétrica do São Francisco, pois a Ilha do Urubu era, na época, um lugar restrito da CHESF e jamais eram admitidos mergulhos na área onde corriam as águas das cachoeiras de Paulo Afonso. Era proibido o banho nesta região, por medida de segurança. E assim não poderíamos justificar a nossa presença nesta área com uma vasta parafernália de equipamentos de caça sub.

Decididos, imediatamente os colegas entraram na água e rumaram ao encontro do animal que berrava quando os jacarés o mordiam por baixo da superfície do espelho d'água da lagoa. Aproximando-se do veado, os mergulhadores pegaram-no e voltaram às margens. Por simples instinto de preservação, não deixamos acontecer o desfecho fatal do destino deste antílope.

O animal foi entregue à administração do zoológico para alojá-lo em uma área mais protegida de eventuais fugas.

E o grande jacaré não apareceu neste dia, por pura sorte do veadinho e dos corajosos caçadores subaquáticos, que heroicamente enveredaram-se neste lago, habitat dos anfíbios.

O instinto corajoso destes pescadores sub, foi maior do que o medo de enfrentar a força magnifica destes grandiosos animais, também subaquáticos, para salvar um pequeno cervo que tentava desesperadamente soltar-se das mandíbulas cortantes dos monstros jacarés.





Acquiring image from ProHosting Banner Exchange