Reportagens - 5 Grandes do Mundo 1
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OS 5 GRANDES DO MUNDO

Dentre os muitos troféus possíveis , mundo afora , não foi fácil decidir-me por estes! Se os Lucianos (Caranhas ) não me deixam dúvidas , já o Prata-Camarupim-Tarpão me deu o que pensar : se é troféu maior , apenas o encontramos no Atlântico Equatorial e Sul , perdendo em universalidade o que lhe sobra em valor . Foi o critério da universalidade que imperou , e que me levou a optar pelos aqui que trago. Escolhi aqueles peixes de porte e valor desportivo que possamos encontrar, simultaneamente, nos oceanos atlântico e Pacífico. Já tubarões, optei por não os incluir, por outras razões: A Caça Submarina é um desporto de elevado risco, pelo mergulho em apnéia, mais os perigos da caça, ainda potenciados pelos peixes que possuem defesas como desconfiança, força e resistência, e um fator humano, o psicológico que deixarei para outra ocasião. 

O tubarão-peça-de-caça eleva este risco a níveis tais que prefiro deixá-lo de fora, consciente da escassa experiência que possuo, como do perigo real que envolve este troféu. Não me sentindo á altura de escrever sobre esta caça, reconheço que se o fizesse poderia levar outros a incorrer em sérios perigos. Segundo uma ordem lógica, os troféus começam por ser aqueles das nossas águas, a que vamos depois acrescentando os exóticos. Os nossos pargo e mero, se menores e menos espetaculares são todavia difíceis; asseguro que bom domínio da caça ao sargo ou robalo, me tem sido tão útil que a eles devo o ter obtido bons troféus como razoável reputação, junto dos meus companheiros de caça de outras latitudes e longitudes. Por isso aconselho a quem me leia e sonhe partir para outras paragens:

1°. Dominem bem a nossa caça e os nossos peixes, para poderem entender e adaptar-se aos outros, mais exigentes no material empregue, quase sempre, mas ao alcance da nossa técnica.
2°. Não esqueçam que para ser um caçador completo, há que ter no nosso quadro de caça os troféus cá de casa! Ao pé do nosso mero ou pargo, muitas das espécies exóticas são rapazes pequenos, e venha quem me diga o contrário! 3°. O prazer que tiramos da caça é fundamental e até diferente de uns para os outros, mas estamos a falar de TROFÉUS, portanto de uma caça específica e muito exigente, que envolve aspectos tão relevantes como o econômico e logístico, que não podem ser ignorados, pelo que não deixo de alertar os aventureiros que me leiam, para que não partam sem a necessária preparação, que compreende um certo grau de conhecimento da caça entre muitos outros.
Estes são quem nos faz correr por esses mares, em busca de outras e novas experiências:

OS CINCO GRANDES DO MUNDO!

OS "LUTJAN" OU PARGOS LUCIANOS OU CARANHA 

A família "Lutjanidae" compreende 8 gêneros, sendo o "Lutjanidae" o mais numeroso e com larga distribuição mundial, por todos os mares quentes ou temperados.

São conhecidos por "snappers", entre os povos de língua inglesa e é talvez o nome que melhor lhes fica pela sua poderosa mandíbula de grandes dentes cônicos. Os franceses chamam-lhe "carpe rouge". No Brasil é caranha vermelho e cioba; noutros países da América do Sul e Central, "cubera".

Na África de língua portuguesa, são conhecidos por pargos em geral: no Norte de Angola ouvi chamar lhes pargo-luciano,sem dúvida corruptela do latim, já no Sul eram chicaca, (que deu o nome ao barco do Pedro Neves ! Em Moçambique são conhecidos por pargo verde, pargo boca doce, pargo boca vermelha, pargo de manchas, vermelhão, rubi, etc. Precisaríamos de toda uma revista só para os nomear!

Mas o que de fato os distingue é o caráter, que faz deles para mim, como para muitos outros caçadores, o melhor peixe de caça submarina que pode existir:

- Encontram-se em quase todos os tipos de fundo, do mangal aos fundos rochosos, passando por areia, lodo e água livre. Umas espécies nuns fundos outras em todos eles. Encontram-se tanto fundo como baixo, por vezes entocam ou caçam com 1 m de água, e nas praias sossegadas vêm quase a seco. - São caçadores ativos, que dominam território: os muito grandes, sós, ou em grupos de 3; os menores, em cardumes que podem atingir várias dezenas de indivíduos. Controlam o seu território, patrulhando-o e investigando agressivamente qualquer intruso.

- São avaliadores, sem qualquer sombra de medo. Percebem rápida e instintivamente se somos uma ameaça e até que ponto, descobrindo as nossas limitações de uma forma desconcertante: o alcance do tiro, duração da apnéia,etc.

- Estão defendidos por rija couraça de enormes escamas que os tomam quase blindados; os ossos da cabeça são de uma dureza incrível.

- Têm uma força que nenhum peixe do seu tamanho iguala, aliada a uma resistência que os torna infatigáveis. São agressivos e combativos, quase invulneráveis.

- Junte-se a isto uma manha diabólica, diria mesmo esperteza, que faz dele um peixe com o saber do mero, poder da corvina, esperteza do pargo, rapidez do robalo, desconfiança da dourada, ferocidade da anchova, combatividade do serrajão... Pedem-nos técnicas de caça apuradíssima:
- No buraco onde alguns são mestres, poderemos surpreendê-los verdadeiramente, por estarem mais seguros. Aguentam-se pouco, procuram o mais escuro e é atirar mal os vemos, ou poderemos não ter segunda hipótese; ás vezes escondem a cabeça e ficam com o corpo á vista, mas nunca é de esperar que fiquem assim muito tempo!
- Aqueles de água livre, depois de engodados com tripas de outros peixes, podem ser caçados em
queda vertical.
- Normalmente, todos toleram mal a aproximação, e o ideal é escondermo-nos sob uma pedra para os emboscar; aí aproximam-se tomando por medo a nossa atitude e mesmo invadem o espaço em que nos metemos, os pequenos por curiosidade e os grandes por dominância. Esta manha, resulta especialmente!

- O agachon funciona mal, como a folha morta, pois parecem saber o alcance das nossas armas e são muito desconfiados, não tolerando qualquer aproximação, salvo uma queda muito suave se por acaso estão abrigados em descanso, entre pedras no fundo, o que é uma grande sorte!
- Se os não atraímos, podemos segui-los até entocarem ou passarem sob alguma pedra para
tentarmos a nossa sorte.
O tiro tem que ser dado com armas muito potentes e arpões muito resistentes, e, sempre muitíssimo bem dado, pois rasgar-se-ão com toda a certeza se não forem paralisados ou mesmo mortos!
Na sua violenta defesa, atiram-se contra as pedras, raspam-se no fundo e mesmo carregam o caçador. Normalmente após a explosão inicial, se o material agüentou, entocam, o que é meio caminho andado para a captura, ás vezes escondendo apenas a cabeça, mas se forem exemplares de 10 ou mais kgs, devem ser mortos com mais tiros e não agarrados à mão, pois MORDEM!
Alguns atingem notáveis dimensões, como o chicaca, "Lutjanus argentimaculatus", mais de 70 kgs e a cubera "L. cyanopterus" mais de 50 kgs.

A finalizar direi, que apesar do seu aspecto feroz, com olhos amendoados, amarelos e maléficos, dentes de lobo, barbatanas laterais como foices, tem um porte de nobreza e cores soberbas que lhe dão uma beleza própria e extraordinária. É por definição O PEIXE para o CAÇADOR submarino, e aquele que mais exige dele e do seu material!
De todos os peixes que já cacei, pelo conjunto de qualidades e grau de dificuldade, é o eleito, sem qualquer sombra de dúvida, TROFÉU NÚMERO UM!

                 

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