Penedos São Paulo e São Pedro
This site hosted by Free.ProHosting.com
Google
Página Inicial

     
 
Selvagens e Exclusivos
Longe de tudo, os Penedos São Pedro e São Paulo são sob medida para que mergulhadores experientes descubram maravilhas subaquáticas peculiares
   
     
 


Belos espécimes de peixes-trombetas podem ser vistos em...



...tranquila convivência com as tartarugas e com as agressivas moréias...


...assim é o exuberante fundo do mar dos inóspitos Penedos São Pedro e São Paulo


Não encontráveis em nenhum outro lugar, o ciliaris branco e...


...o azul foram descobertos recentemente no fundo do mar dos penedos...


...da mesma maneira que o bonito budião azul da foto.

Se você é um velejador e mergulhador experiente, apaixonado por aventura e desafios, os Penedos de São Pedro e São Paulo parecem ter sido criados sob medida para satisfazer sua alma irriquieta. Remoto parece ser a palavra exata para defini-los. Localizado a 1.100 km da costa do Rio Grande do Norte, as duas ilhotas praticamente surgiram do nada no meio de lugar algum, a partir de uma falha tectônica. O arquipélago não é nada mais que um pequeno agrupamento de rochas pontudas e íngremes, sem praias ou vegetação. Enfim, um inóspito, árido e selvagem.

Mas sob esse ar desolado e sem qualquer atrativo, os penedos escondem um verdadeiro tesouro debaixo de suas águas, onde existe um ecossistema capaz de extasiar cientistas e mergulhadores por sua diversidade e pujança. Prova disso, foram três espécies novas - um budião e dois ciliaris - encontradas no arquipélago no final do ano passado pelos membros da Expedição Ilhas Oceânicas Brasileiras. Endêmicos ao arquipélago e até então desconhecidos, esses peixes apresentam, entre outras características diferentes padrões de cor nunca registrados antes.

A expedição foi formada pelos instrutores de mergulho Ricardo Stangorlini, Osmar José Luiz Jr. (também biólogo), Cezar Torres (epecialista em naufrágios e equipamentos), Rogério Silva, Leandro Queiroz e Aldo Thomaz Jr. (cinegrafista subaquático), além do capitão José Carlos Marenga e do marinheiro Dió. Eles partiram no final do ano passado de Recife (PE), a bordo do veleiro Aussteiger, de 53 pés (16m), em uma viagem dividida em duas etapas. Na primeira, fizeram uma parada em Fernando de Noronha, a 540 KM da capital pernambucana, e dali rumaram para os penedos, a 600 km de distância. Só nesta segunda etapa foram gastas mais de 58 horas de navegação.

Ilhas vulcânicas, São Pedro e São Paulo se erguem, de um lado, a partir de uma profundidade de 2.000 m até alcançarem emfim a superfície. Na face oposta, conhecida como Cabeços, há um platô entre 35 a 40 metros de profundidade. A maior parte dos mergulhos efetuados pelos membros da expedição foi realizada nessa área, com exceção de um, que se tornou a primeira exploração subaquática com trimix realizada no arquipélago, na qual o grupo atingiu 93 metros de profundida. A visibilidade média do mar ao redor dos penedos situa-se em torno dos 30 metros. A excepcional clareza das águas mais a fauna marinha única e exuberante, que inclui vários animais endêmicos às ilhas, são as grandes atrações locais.

As duas espécies até então desconhecidas de ciliaris são peixes com as mesmas manchas na cabeça que os espécimes já conhecidos, mas a coloração do corpo muda: um é totalmente branco; o outro, azul. Além dos ciliares, foi encontrado também um budião nunca citado em nenhum trabalho científico.

Mas nem só de espécies exclusivas vive o arquipélago, que exibe uma fauna que não faz feio nem a Galápagos - o arquipélago de ilhas também vulcânicas situado no Oceano Pacífico, famoso porque sua fauna, sem igual no planeta, levou o inglês Charles Darwin a desenvolver a sua genial teoria da evolução. Assim, em São Pedro e São PAulo, cardumes de tubarões-martelos, de tubarões-baleias, de jamantas e de peixes migratórios, além de tartarugas, moréias, lagostas e peixes de toca desfilam pelo fundo rochoso, tirando o fôlego dos pouquíssimos e privilegiados mergulhadores que já visitaram o local.

Na verdade, a exuberância subaquática do arquipélago não deveria espantar ninguém, já que a grande distância da costa torna as ilhas um verdadeiro laboratório de seleção natural. O biólogo Osmar José Luiz Jr. explica que a hipótese mais provável para o surgimento de novas espécies seja a reprodução consanguínea entre os peixes que habitam a região. Ainda não há um estudo científico que comprove a tese, mas provavelmente, como ocorreu em Galápagos com outras espécies, os ciliares brancos e azuis e os budiões se diferenciam de seus parentes de Fernando de Noronha e da costa continental em razão da intransponível barreira criada pelo mar aberto. Assim, impossibilitados de se aproximarem de outros territórios, os peixes começaram a se reproduzir entre si, tornando-se endêmicos aos Penedos. Rochas vulcânicas com permanente mutação, as ilhas também têm mudado em razão dos abalos sísmicos que assolam o território. O pescador Manoel Morião, dono de um barco que frequenta o arquipélago desde 1973, com autorização da MArinha, afirma que há duas décadas o fundo ao redor era completamente diferente do de hoje. Em razão dessa situação particular e ainda pelo fato de as ilhas serem rota de passagem de várias espécies de peixes migratórios, o governo brasileiro instalou em 1998 uma estação de pesquisa nos rochedos, onde grupos de quatro pesquisadores se revezam em temporadas. Enfim, por suas belezas e surpresas subaquáticas, os penedos são um mergulho e uma aventura e tanto.