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OS SENTIDOS DO PEIXE Conhecer um peixe em seus mínimos detalhes pode ajudar o pescador a melhorar suas pescarias. Conhecendo os sentidos do peixe, com certeza o pescador terá aumentado suas possibilidades de não errar, ou, por outro lado, entender porque algumas vezes deixamos de fazer uma boa pescaria.
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Como
todo ser vivo, os peixes, sem exceção, têm suas defesas próprias e
delas fazem uso em seu hábitat para continuar vivendo. Em
sua luta diária pela sobrevivência, quer contra predadores naturais
ou mesmo contra o homem pescador, os sentidos dos peixes são usados
a todo instante. A própria natureza dotou os peixes de certos atributos,
onde alguns sentidos são mais desenvolvidos do que outros, para que
com isso, as espécies possam sobreviver no meio ambiente. Para
o pescador amador, conhecer essas faculdades facilita a prática do
esporte, e sabendo disso, podemos melhorar nossas pescarias, ou mesmo
deixarmos de cometer erros primários. Desse conhecimento adquirido
e usado em nossas pescarias, aprendemos também o respeito que devemos
ter pelos cardumes. Um pescador amador, quando pesca bem, deve antes
de tudo, ter parâmetros de conduta para com o meio ambiente. Conhecedor
profundo do que está fazendo, não há dia ruim, em pescaria, para um
pescador amador. Vamos conhecer os sentidos do peixe, e com isso,
antes de tudo, vamos apurar um sentido que deve ser o mais aguçado
em todos nós: o respeito para com o meio ambiente. Conhecer é preciso,
não depredar é necessário e uma questão de honra, para quem realmente
é um bom pescador amador. Vamos aos sentidos do peixe.
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Visão Os
órgãos visuais da maioria dos peixes, apesar das grandes proporções
que atingem, estão constituídos e adaptados para enxergar em um limitado
raio visual. Este aspecto se deve principalmente a dois fatores: 1° - Condições físicas
da água, que como é sabido, facilita imensamente a dispersão dos raios
luminosos, absorvendo-os na primeira camada. Em pouca profundidade,
mesmo sendo límpida, a água torna-se progressivamente obscura. 2° - A lente do olho
do peixe é esférica e não pode variar em sua forma, como acontece
com os animais superiores; isto nos revela o exame da estrutura anatômica.
A retina é fracamente dotada de células sensitivas, de maneira que,
na maioria dos casos, não possui, como na generalidade dos animais
vertebrados, senão uma capacidade visual muito reduzida. Por outro
lado, a lente esférica que nos peixes não varia, dando-lhe uma impressão
imperfeita do objeto visado, nos animais terrestres se achata quando
se procura enxergar um objeto distante e se curva fortemente tanto
quanto este objeto se aproxima. Os peixes, imersos em
um liquido que absorve grande parte dos raios luminosos, dotados de
uma imperfeita estrutura visual como aquela neles observada e estudada
pelo Dr. Th. Berr (Die Accomodation in der Thierreiche, 1898) não
podem, de maneira alguma, ter a acuidade visual que parecem ter e
que muitos pescadores lhes querem dar, acontecendo na realidade que
muitos fatos que parecem, à primeira vista, depender da percepção
visual, nada mais são que a correlação desta última com suas desenvolvidas
faculdades auditivas. Poderemos concluir então que os peixes sentem por meio da gustação, por intermédio da audição, por sensações nervosas que recebem da linha lateral e que são transmitidas ao centro auditivo, manifestações estranhas a nós, que os fazem pressentir, com extraordinária facilidade, ruídos, presenças de corpos estranhos, etc., sem intervenção direta do órgão visual, que lhes serve somente para averiguar, por último, o que se passa ao redor deles. Olfação Os
peixes, vivendo dentro d'água, muito dificilmente sentem o cheiro
de qualquer substância que lhes fica distante alguns metros, porque
a propagação da matéria odorante que se põe na água, ou uma solução
corante, se dá muito lentamente. O
peixe tem pouco desenvolvidos os órgãos da olfação, assim como os
da visão, como já vimos atrás. O animal terrestre sente o cheiro rapidamente
porque o meio físico é muito diverso daquele dos peixes - qualquer
gás se expande rapidamente na atmosfera, enquanto se perde e lentamente
se propaga na água. Os
peixes são dotados, anatomicamente, de duas aberturas nasais que,
geralmente, estão situadas entre o focinho e os olhos; esses orifícios
são protegidos, em muitos peixes, por duas válvulas que regulam a
entrada e saída da água. Cada
orifício está dividido em duas partes, por onde circula a água que
penetra nas ditas aberturas, sentindo assim, o peixe, o cheiro da
substância que produziu a emanação dentro do liquido. Essa percepção
é, porém, muito grosseira, e o peixe ordinariamente só percebe o cheiro
quando está super-ativo. Olfato
se traduz intencionalmente pela sensação que sentimos de emanações
na camada de ar que nos envolve; este mesmo termo não se prestará
para exprimir a sensação que ao peixe causa a substância odorante
dissolvida na água, porque na verdade, o peixe sentirá mais o gosto
do liquido do que propriamente o cheiro. E isto se explica facilmente
porque a substância sápida ou odorante chega ao mesmo tempo ao paladar
e à olfação, impressionando, portanto, concomitantemente, os dois
sentidos. É sobre este particular que pode-se afirmar que "olfato
e paladar comunicam-se entre si" :
Audição A
audição é o sentido mais pronunciado na maioria dos peixes. Vivendo
em um meio bom condutor de som, como é a água, podem os peixes ouvir
facilmente a grande distância, e nitidamente qualquer ruído, que é
algumas vezes ampliado pela irradiação sonora através da massa liquida. O
peixe ouve, geralmente, dez vezes mais do que o animal terrestre.
O som emitido dentro d'água se propaga muito mais facilmente, isto
é, com mais velocidade do que através da camada atmosférica. Os peixes
utilizam-se do ouvido e das ramificações nervosas que se acham espalhadas
pelas linhas laterais do corpo para, em ação conjugada, perceberem
uma terceira sensação, para nós completamente estranha e inexplicável,
mas que a ciência já procurou definir como "sensação espacial': E
notável também a faculdade que têm os peixes de sentir a baixa ou
a alta da água em que estão. Uma insignificante diminuição de nível
é imediatamente percebida pelo peixe que repousa no fundo. Da mesma
forma, são eles muito sensíveis aos fenômenos meteorológicos. Pressentem,
com muita intensidade, o aproximar dos temporais e ouvem os rumores
dos trovões a distâncias incalculáveis. A
pressão atmosférica é outro fator preponderante no comportamento dos
peixes. Qualquer
pessoa, antes de se aproximar das margens de rios ou lagoas, ou no
fundo do mar, poderá avaliar o apurado sentido acústico dos peixes:
bastará fazer um barulho acima do normal, para se verificar que os
peixes fogem, rapidamente, para a proteção de águas mais profundas. Bibliografia consultada - Monografia Brasileira de Peixes Fluviais (Agenor Couto de Magalhães). |