Reportagens - Síncope 1
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AS CAUSAS DA SÍNCOPE (APAGAMENTO)


Este é um tema raramente abordado e, no entanto, deveria merecer de todos nós muito mais atenção. Afinal, todos sabemos que este problema existe e que, infelizmente, está na origem do trágico desaparecimento de alguns dos nossos grandes amigos.

Porque não olhar de frente para os fatos e encarar a "síncope" como qualquer coisa bem próxima e capaz de matar o mais bem preparado dos caçadores submarinos? Nos tempos que correm, devido a um vertiginoso desenvolvimento das técnicas de caça, parece-me mais importante do que nunca dedicar algumas linhas a este assunto tabu. Contrariamente ao que possa pensar-se, a probabilidade de surgir uma síncope é tanto maior quanto melhor for o nível técnico do caçador. Os iniciados, em regra, não morrem de síncope. Há dez, quinze anos, havia meia dúzia de "feras" que caçavam abaixo dos 20m. Hoje, contrariamente ao que sucedia então, há muitas dezenas de caçadores submarinos a caçar muito bem e incrivelmente fundo. Ou seja, o universo de caçadores sujeitos a "apagarem-se" cresceu enormemente. Não se conclua daqui que a síncope só surge a quem mergulha a 20m ou mais. É claro que não, uma permanência em apneia, para além do tempo suportável, pode originar uma síncope a qualquer profundidade. Porém, a experiência e os tristes registros dizem-nos que a síncope convive paredes-meias com o mergulho profundo.

Hoje em dia, quem não for capaz de caçar abaixo dos vinte metros jamais passará da mediania e dificilmente terá qualquer hipótese de aspirar a um lugar de destaque no atual plantel dos caçadores brasileiros e, menos ainda, no dos estrangeiros. Basta assistir a uma competição para perceber o que quero dizer. Há um sem número de jovens caçadores, ainda desconhecidos, que já caçam incrivelmente fundo. É exatamente aqui que o problema reside. Caçar fundo, logo nos primeiros anos de prática da modalidade, passou a ser tão importante como ter barco ou ter sonda ou ter nadadeiras de carbono ou, em suma, ter o último grito em material de equipamento. Lamentável é que todos se apressem a caçar fundo e a estarem super-equipados, mas que tantos e tão freqüentemente se esqueçam das regras básicas de prevenção da síncope.
Não pensar no problema, ou achar que só acontece aos outros, é uma tremenda irresponsabilidade que pode custar-nos a vida. Fazer um mergulho sem ter bem presente este risco é tão temerário como o é saltar para um buraco negro sem saber onde está o fundo.

Cada vez com mais freqüência ouvimos histórias de síncopes, algumas delas com caçadores de primeiríssima linha, umas resolvidas "in-extremis" e outras, infelizmente, fatais. Mas o que se passa afinal? Será que a caça submarina inibe a auto-estima dos seus praticantes? Será que há algum peixe que valha a nossa vida? Ou será apenas uma incontida e irresponsável vontade de ser o melhor? Seja o que for, o que é indesmentível, é que mata mesmo. Embora este artigo devesse ser escrito por um médico, seguramente mais apto para explicar todo o quadro clínico deste problema .A síncope é, por si só, um fenômeno muito simples e se ocorrer fora de água não tem, em princípio, conseqüências de maior .Consiste apenas num desmaio provocado por insuficiente oxigenação do cérebro. É um mecanismo de defesa do nosso corpo, que tenta, através do desmaio, garantir que o pouco oxigênio que nos resta no sangue se destina ao cérebro e não a ser consumido pelos músculos e outros tecidos não vitais.

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